Sentenciava aos seis anos a quem se dispusesse:
“Pediatra, poetisa e patinadora de supermercado!”
Com a inocência das possibilidades descabidas e despretensiosamente despudoradas talvez hoje me orgulhasse das meias conquistas e impropérios da vida.
O que me falta hoje é o lirismo abjeto e abstrato, desfigurado, desmedido e sem rimas…
Deixei para trás as rodas nos pés e a falta de atrito entre as intenções e o assoalho encerado.
Uma lacuna qualquer no espaço e tempo onde pequenos deslizes de passos trêmulos se tornariam aventuras maiores;
até chamar a atenção de um segurança no shopping, ao custo de interrupção das brincadeiras de estragar o piso…