segunda-feira, 17 de julho de 2023

A menina de patins

Sentenciava aos seis anos a quem se dispusesse: 

“Pediatra, poetisa e patinadora de supermercado!”

Com a inocência das possibilidades descabidas e despretensiosamente despudoradas talvez hoje me orgulhasse das meias conquistas e impropérios da vida.

O que me falta hoje é o lirismo abjeto e abstrato, desfigurado, desmedido e sem rimas…

Deixei para trás as rodas nos pés e a falta de atrito entre as intenções e o assoalho encerado.

Uma lacuna qualquer no espaço e tempo onde pequenos deslizes de passos trêmulos se tornariam aventuras maiores;

até chamar a atenção de um segurança no shopping, ao custo de interrupção das brincadeiras de estragar o piso… 




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