“A vida é arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida”- Vinicius de Moraes
Hoje eu fiquei presa no elevador do hospital... não parada, curiosamente, apenas presa, entre subidas e descidas, risadas e suspiros nervosos de gente que, como eu, passava aperto enquanto tentava se deslocar de um lugar em direção a outro.
Gente que, automaticamente, saia de uma longa fila de espera para se espremer dentro de um cubículo lotado e ir de encontro a seus compromissos. Estudantes, médicos, professores, enfermeiros, maqueiros e acompanhantes de pacientes.
E como descreverei a angústia e a cumplicidade desses desconhecidos que foram levados, por alguns instantes, à súbita ideia de que estariam meramente de passagem nesta vida; para então se apegar à lembrança do tempo e dos afazeres que perdiam, como que a um álibi silencioso para tão momentâneo sofrimento?
E como descreverei a amarga sensação de descontrole e desencontro de quem se atrasava para uma aula, prova ou horário de visita? De quem, secretamente ou não, experimentava o medo e a apreensão diante dos altos e baixos do destino?
E, mais ainda, como descreverei a sensação de alívio e renovação de quem se vê livre de um pequeno cárcere? Aquela doce alegria de quem foi levado a se lembrar rapidamente da própria existência para finalmente correr em direção às escadas e retornar ao seu esquecimento diário?
Ah, como é bom poder (re)encontrar não o extraordinário, mas aquilo que nos é comum!
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