quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Vestir-se

Às vezes, sinto como se vestisse um pouco ou muito das pessoas de que mais gosto e que convivem comigo...

Quando elas se vão, qualquer que seja o motivo, é como se me pegasse nua ao espelho...

E é como se seguisse, camaleoa, porém pelada, aguardando pela próxima troca de pele...

Por ora, queria mesmo estar camuflada e invisível, sem revelar de fato minha essência inteiramente nua...

Depois, espalhafatosamente vestida, como quem grita para o mundo todo ouvir que não sabe o que vestir agora que está pelado...

Ora, mas por que é tanto desconforto andar pelado?

E continuar pelado, desarmado e desalmado ainda que vestido e pintado de ouro?

Deviam prender almas nuas como a minha por desacato ao pudor...


3 comentários:

  1. :'( e :').

    O primeiro pela situação, e o segundo pelo texto magnificamente escrito! É realmente curiosa a sensação de vestir um manto dos retalhos que fiamos daqueles à nossa volta. Se enudecer das pessoas, embora também curioso, não é um processo agradável.

    Conte sempre com os retalhos remanescentes para abrigar a alma do frio sideral.

    Write on!

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    1. Muito obrigada pela consideração e pelo elogio, Sr. Escritor amigo Bruno :-)!

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    2. Muito obrigado pelo texto, senhorita escritora amiga Marina! Foi uma deliciosa surpresa o seu blog!

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